Marco Bellochio é o diretor de Bom Dia, Noite, um dos poucos filmes italianos que eu me lembro de ter gostado nos últimos anos. Mas eu também me lembro de ter boiado um pouco na história, que falava sobre o sequestro daquele Aldo Moro, primeiro-ministro da Itália. Eu sabia por cima quem era Aldo Moro e talvez um pouco sobre a Brigada Vermelha, mas, mesmo assim, senti que talvez tivesse “aproveitado” melhor o filme se fosse mais por dentro da história da Itália. E DIGO MAIS: a mesmíssima coisa aconteceu com o novo filme de Bellochio, Vencer.
A produção conta a história real de Ida Dalser, uma mulher que passou a vida inteira tentando provar que era casada com Benito Mussolini, e que tinha um filho com ele. O garoto foi reconhecido, mas Mussolini já era casado com outra mulher e, assim que começou a crescer como líder político, se livrou de Ida. Numa dessas ela já tinha vendido tudo que tinha e dado a grana pra ele fundar um jornal, e se apaixonado totalmente pelo cara, o suficiente para fazer dele meio que a razão de sua vida. E a insistência em provar que era mulher e mãe do filho de Mussolini acaba por colocá-la em um hospício, onde ela continua lutando para ter sua história reconhecida como verdadeira.
Quando comecei a ver o filme, eu nem sabia se essa mulher tinha existido mesmo ou se era uma história romanceada com fundo histórico. O Mussolini eu sabia que tinha existido, claro, mas também não sabia suuuuuuuper sobre a vida dele, o que me fez pensar que a Itália era meio coadjuvante nos livros didáticos do meu colégio. Eu até estranhei a cena em que aparece o Mussolini de verdade, com aquele jeitão caricato (e falando bem da Igreja, sendo que na primeira cena do filme ele tinha dito que Deus não existia e la la la), porque acho que nunca o tinha visto falar. Nesse sentido, Vencer me “ensinou” algumas coisas. Mas entre “aprender” com um filme e “gostar” de um filme há uma grande diferença, e embora eu tenha me esforçado, acabei achando tudo tão interessante quanto arrastado. Não entendi bem o motivo mas, depois de ler muitas resenhas elogiosas, fiquei pensando se eu não perdi alguma coisa devido à falta de conhecimento sobre aquela história.
Porque, de fato, a trama é interessante, os atores são bons, a fotografia é bonita, as caracterizações de época são cuidadosas, é um filme muito bem realizado em geral, mas falta alguma coisa. Não sei se vocês já assistiram desfile de escola de samba, mas eu tive essa fase quando era criança e minha implicância particular (eu sempre tenho uma) era com a Imperatriz, porque todo ano era a mesma coisa: eles venciam com um desfile tecnicamente perfeito, mas que não empolgava ninguém. Mal comparando, achei mais ou menos isso de Vencer: tecnicamente perfeito, mas não me empolgou.