Uma das coisas que eu mais gosto nos filmes antigos é a elegância das pessoas. Mesmo o mais pobretão dos protagonistas de comédia romântica dos anos 40/50 veste um belo terno, e mesmo a mais secundária das atrizes desfila um penteado impecável. Tudo bem, hoje as atrizes ainda são lindas, mas nenhuma delas têm o porte de uma Audrey Hepburn, uma magrelinha de cabelo curtinho que com esse jeito inocente e charmoso tornou-se um dos rostos mais definitivos do cinema. Eu não vi muitos filmes da moçoila, então não sei dizer se gosto dela tanto quanto o mundo parece gostar. Mas, de fato, se eu fosse fazer uma lista das mulheres com mais screen power, Audrey Hepburn estaria lá.Sabrina é um dos primeiros filmes dela em Hollywood, lançado em 1954 e dirigido por Billy Wilder. No começo da história a Audrey é uma menina bonita, mas meio maria mijona, que ama um cara mulherengo e bobão que happens to be um dos milionários para quem o pai dela trabalha como motorista há 25 anos. Pra desencanar ela vai passar uma temporada de dois anos em Paris. Quando volta para casa – tcharan – a maria mijona vira a mulher mais sofisticada do mundo (aliás, a julgar por esse filme a França é o lugar mais maravilhoso que existe, do tipo vá-e-volte-repaginada). Aí o cara fica a fim dela, mas como ele já tem um casamento de conveniência marcado, o irmão mais velho dele, que só pensa em trabalho, decide interferir no caso. A tática: fazer a menina se apaixonar por ele e esquecer o outro.
O William Holden está bem como o mulherengo que só quer se divertir, mas eu gostei mesmo do irmão trabalhador, interpretado por ninguém mais ninguém menos que Humphrey Bogart (num papel recusado por Cary Grant). Porque putz, o Humphrey Bogart é excelente. Nos extras do DVD tem um mini-documentário no qual um cara xis da Paramount diz que o Boggie “fazia parecer que atuar era muito fácil”. E é exatamente isso. O cara é tão natural que parece que não faz esforço nenhum pra atuar, como se ele de fato fosse o que ele interpreta, seja o gângster perigoso de Beco Sem Saída, o investigador esperto de Falcão Maltês, o homem mais triste do mundo de Casablanca, o empresário que não tem vida afetiva de Sabrina, ou qualquer outro papel (eu só não gosto dele em Uma Aventura na África, curiosamente o filme pelo qual ele ganhou o único Oscar da carreira). E DIGO MAIS: a Audrey é ótima, mas, pra mim, Sabrina vale principalmente pelo Boggie. Abaixo, um videozinho da minha cena preferida do filme: ela toda charmosa e ele com aquele jeito meio entediado que lhe é peculiar.
Pergunta: será que um pouco da elegância dos filmes antigos não tem a ver com o preto e branco? A cor, se não é muito bem tratada, fica espalhafatosa e vulgar.
Ah, Audrey…
Talvez a elegância tenha se perdido porque nenhuma Julia ou Scarlet tem essa sensualidade sem parecer…vulgar.
E, se me permitem usar o nome do blog, digo mais: A Audrey de fato é ótima, na minha opinião apenas “Charada” é um trabalho dispensável.