Uma das mais respeitadas atrizes da atualidade e talvez de todos os tempos, Meryl Streep estrelou dois filmes em 2009 com algumas coisinhas em comum: ambos são comédias, em ambos ela interpreta mulheres com grande talento culinário e em ambos ela está completamente à vontade no papel, daquele jeitinho Meryl Streep we all know and love. Vamos a eles:
Julie & Julia

Já disponível em DVD, este filme dirigido por Nora Ephron é a versão cinematográfica do livro de Julie Powell, por sua vez inspirado em um blog no qual, por um ano, ela contou sobre sua vida e a missão que impôs a si mesma: fazer todas as receitas do mais famoso livro de Julia Child, cozinheira americana que popularizou a culinária francesa nos EUA. A diretora intercala a histórias das duas mulheres e seus maridos, em épocas e locais diferentes: Julia em Paris, Julie em Nova York.
Como a Meryl está interpretando uma pessoa real, os trejeitos e a voz da Julia de verdade foram copiados – o que para mim, que não conheço a mulher, não fez muita diferença. Mas o jeitão da personagem é bem divertido: ela fala de um jeito engraçado e tem um entusiasmo constante em relação a tudo. E se ver a Meryl se divertir é legal, ver a Meryl e o Stanley Tucci se divertirem é ainda melhor. Eu gosto do Stanley Tucci há algum tempo, desde que o conheci em alguma comédia ambientada em NY e dirigida pelo Edward Burns. Depois de O Diabo Veste Prada e Julie e Julia, ficou claro que os dois fazem um par e tanto.
E DIGO MAIS: os dois são tão bom juntos que, de certa forma, prejudicam o filme. Quando o outro casal (Amy Adams e Chris Messina) aparece, você sente tanta falta de Meryl e Stanley que passa a achar o filme chato.
Simplesmente Complicado

Dirigido por Nancy Meyers e atualmente nos cinemas, este filme conta a história de uma mulher divorciada há dez anos, toda certinha, que faz algo totalmente inesperado: começa a ter um caso com o ex-marido (Alec Baldwin), que é casado e padrasto de um menino de seis anos. Enquanto tenta entender o que está fazendo e esconder a história dos três filhos, ela começa a sair com o arquiteto (Steve Martin) que vai reformar sua casa, o que causa um monte de confusão. De divorciada sem nenhum pretendente ela passa a se dividir entre dois homens totalmente diferentes.
Nancy Meyers dirigiu Alguém tem que Ceder, aquele divertido filme com Jack Nicholson e Diane Keaton que todo mundo gostou, inclusive eu. Simplesmente Complicado retoma o principal tema deste trabalho anterior: amor e o sexo entre pessoas mais velhas. É um tema pouco comum e bastante divertido, que rende boas risadas porque os personagens costumam ser mais inteligentes do que os jovens panacas que protagonizam a maioria das comédias romântica.
Em Simplesmente Complicado, por exemplo, há momentos bem legais e verdadeiros, como quando a Meryl Streep tenta esconder o corpo do ex-marido porque a última vez que ele a viu nua ela estava na casa dos 40. E tem também uma cena impagável em que ela e o Steve Martin fumam maconha após 27 anos “caretas”. Mas assim como Alguém tem que Ceder tinha alguns probleminhas (a parte do Keanu Reeves, sobretudo), Simplesmente Complicado se alonga demais na mesma piada. Além disso, não sei se a Meryl combina muito com os dois caras. O Alec Baldwin eu até perdoo, porque ele é tão canastra quanto hilário. Mas Steve Martin, apesar da cena da maconha, está muito bizarro no papel do cara bonzinho da comédia romântica.
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No fim das contas, quem se destaca é a Meryl Streep e toda a sua “Streepness”, como diria o A.O. Scott do NYT em um belo texto sobre ela. Vários pontos interessantes são discutidos: como a Meryl se consagrou nos dramas, mas aos poucos foi se tornando uma ótima atriz de comédia; como hoje ela parece estar se divertindo muito mais; como uma das razões pelas quais é gostoso assistir a Meryl Streep é o fato de “a conhecermos há tanto tempo” e de ela nunca “desaparecer” nos papéis. Diz o A.O. Scott:
To say that she disappeared into these roles is not quite accurate. Rather, she used the particularities of these disparate characters to reveal some essential facet of herself, an ineffable but unmistakable Streepness (…) The genius of Julia Child was to demystify her art, to insist that anyone could cook the way she did, and Ms. Streep does something similar. Not that any of us could act with such consummate skill, resourcefulness and dignity. We can’t be Meryl Streep. And yet, whoever she is pretending to be at the moment, however she is, with sublime calculation and faultless craft, being herself, we can’t help but feel that she is one of us.
Não saberia resumir melhor.
Ela realmente tem um belo trabalho.Verei se assito ao “Julie e Julia”. Não sei, mas o “Simplesmente complicado” não me parece uma boa pedida – não é pelo sugestivo título-, pois acho a presença do Steven Martin e do Alec Baldwin continuamente entediantes…
A Meryl Streep de hoje, que é considerada a melhor atriz americana, e que é tratada pelos demais artistas como grande dama — espécie de Fernanda montenegro daqui — é relativamente recente. Não me lembro como aconteceu, foi rápido, depois de uma carreira lenta. Até há pouco tempo (digo uns 10 ou 15 anos atrás) quando ela fez aquele filme em que era uma esportista radical de bote (não sei como chama o tal esporte), a qual, atacada por dois bandidões, conseguia dar cabo deles e ainda recuperar o amor do marido, ela não era essa unanimidade toda. Quando ela fez aquele filme com o Nicholson, As bruxas de Eastrwick, também não era: a Anjelica Houston era mais atriz, a Diane Keaton era mais famosa e mais cortejada pelos cinéfilos. O que aconteceu? Quando aconteceu? Me conta, Lui. Mas eu suspeito que aquele filme do Clint, As Pontes de Madison, teve alguma coisa a ver com isso. Ele conseguiu dar um absoluto protagonismo para uma mulher mais velha, e ela mostrou que era capaz de segurar um filme romântico, sexy e inteligente. Você acha que tem a ver, ou não?
O Filme Simplesmente Complicado
É simplesmente muito bom para assistir,é um filme adulto,com dialogos adultos,e não tem todos os finais q tem a maioria dos filmes
Adoroooooo,amo a Atriz Meryl Streep,simplesmente perfeita