A manhã na qual são anunciados os indicados ao Oscar é sempre uma manhã de decepção e eu, como boa award-season-watcher, já me acostumei com isso. Mas neste bonito dia 24 de janeiro, eu pergunto a vocês, leitores do E DIGO MAIS: seria esse o pior Oscar ever?

Os indicados deste ano ao Oscar de Melhor Filme
Esqueçam o fato de que o Clint e seu J. Edgar foram ignorados – por essa eu já esperava embora não concorde. Mas Tilda Swinton de fora? TILDA SWINTON DE FORA? Eu nem vi o filme da Tilda Swinton (Precisamos Falar sobre o Kevin) e já tenho certeza de que isso tá errado. Pelo que li sobre a produção e pelo que sei da Tilda Swinton (talvez a minha favorite living actress), tenho certeza de que no mínimo a Rooney Mara e a Michelle Williams não chegam aos pés.
Aí veio Melhor Filme – dessa vez com nove indicados, porque a Academia mudou as regras novamente e é tudo tão complexo e zuado que estou com preguiça de explicar o novo sistema – e o primeiro nome anunciado foi Cavalo de Guerra, um filme ruim do Spielberg sobre o qual eu ainda devo um post mal-humorado. Ok, é aquele filme bonito, bem filmado, bons efeitos, boa fotografia e blá blá, mas tira a parafernália técnica e sobra uma fábula muito da babaca sobre cavalo, com um toque de Primeira Guerra Mundial – ou seja: zzzzzzzzz.
E se a lista começou mal, terminou pior ainda, com Tão Forte e Tão Perto, que eu não vi e não gostei porque é adaptação de livrinho pop estrelado por Tom Hanks e Sandra Bullock, dois dos atores que mais me irritam no mundo (o David Edelstein, da NY Mag, classificou de “um filme de fazer vomitar sobre uma história irrelevante”- hahaha). Meu único consolo é que são nove indicados e eu já vi três, então a maratona desse ano será mais light.
Entre os atores, vários que eu não conheço ou não tenho opinião sobre: Jean Dujardin, Demián Bichir, Bérénice Bejo, Janet McTeer e Jonah Hill – e ainda rolou uma indicação para a Melissa McCarthy, a Sookie de Gilmore Girls, já vencedora do troféu “quem diria” desse ano. Nada contra ver caras novas no Kodak Theatre (tudo a favor, aliás), mas faltou aquele indicado do coração para eu torcer, né? Tirando o Clooney e a Meryl Streep, todo mundo é tão so-so que nem me animo muito. E COMO ASSIM TILDA SWINTON DE FORA?
No mais, é tudo muito zzzzzzz. Filme do Scorsese lidera as indicações: zzzzzzzzz. Duas indicações para o John Williams em Trilha Sonora, ambas por filmes do Spielberg: zzzzzzzz. Michael Fassbender de fora: zzzzzzzz. Tapete vermelho sem a Tilda Swinton desfilando seu David Bowie style: zzzzzzz. Já tô pensando na overdose de café que será necessária para me fazer ficar acordada até o fim do live blogging.
Mas como tudo sempre pode piorar, há um detalhe final, a cereja do bolo, a chave de ouro: entre as únicas DUAS músicas indicadas a Canção Original – ênfase no “duas”, vejam como a probabilidade era pouca -, está uma da animação Rio de ninguém mais ninguém menos que quem? Quem? Quem? Carlinhos Brown, numa parceria com Sérgio Mendes. Ele mesmo, CARLINHOS BROWN, também conhecido como o maior mala do Brasil.
Mas veja, caro leitor, o problema nem é o Carlinhos Brown em si. Claro que o Carlinhos Brown é chato pacas e é claro que soa bizarro dizer que o Carlinhos Brown está indicado ao Oscar e a Tilda Swinton não. Mas o grande problema, a grande lama dessa indicação maldita, é que de agora em diante vamos ser bombardeados pela boa e velha frase: O BRASIL ESTÁ NO OSCAR. E essa história a gente já conhece: muito auê, muito orgulho nacional, muitas lembranças sobre o dia em que a Fernanda Montenegro perdeu para a Gwyneth Paltrow vestida de bailarina, muitos comentários patrióticos do Rubens Ewald Filho etc etc etc.
Em resumo: a noite de 26 de fevereiro será longa.
E DIGO MAIS: a lista completa de indicações, pra quem quer ver pra crer.
1- the decendants é bom! (george clooney com camisas floridas havianas, vc vai gostar)
2- esse the help é a “boa ação” do oscar de 2012, igual foi com aquele filme babaca sobre o jogador de futebol negão que a sandra bullock adapta
3- SANDRA BULLOCK NÃO É UMA ATRIZ HOLLYWOOD – get that fact straight
adota, não adapta hahahah
E o perigo é que, em parceria com o Sérgio Mendes, o mala-mór pode emplacar. Tóc-Tóc-Tóc!
Jean Dujardin é bom. The Artist é bomba.